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Casamento de Denise Wandersee Petersen |
Em minha opinião pessoal, de todo o vasto conteúdo histórico e cultural que possuímos, o casamento dentro da tradição pomerana é a coisa mais linda e intrigante que existe, quando se conhece o que está por trás do significado de cada detalhe.
Ao lado foto de minha prima Denise de Santa Catarina que não esqueceu de honrar nossas origens casando-se de preto, rompendo com tabus, tradição do branco e escândalos da parte de muitos que não sabem o significado do mesmo. Denise, este post é em homenagem a você, sou seu fã.
Essa linda história teve início do outro lado do Atlântico, período ao qual a Pomerânia estava sob o julgo dos senhores poloneses, surgindo na verdade como uma forma de protesto. Em meio às montanhas do Estado do Espírito Santo, contudo, um pedaço da Pomerânia sobrevive ainda hoje. Em algumas famílias capixabas, as mulheres se casam de preto desde a idade média, tradição esta que não existe mais na antiga Província da Pomerânia. O dialeto na Europa desapareceu e dado como extinto, em terras capixabas, tanto o dialeto como as tradições permanecem bem vivos, e o casamento também.
A tradição de casar de preto nasceu como protesto, no tempo em que a primeira noite de núpcias, era com o senhor feudal. Por isso, quando uma moça se casava, sua primeira noite não era com o marido, mas com o senhor das terras. Logo, elas começaram a vestir-se de preto em sinal de protesto, amarrando em suas cinturas uma fita verde, para mostrar que ainda tinham esperança de se livrar da tirania daquela época.
Uma outra linha de pensamento, defende a teoria de que as pessoas na Pomerânia eram muito pobres, e por isso, ao se casarem, as jovens compravam vestidos pretos que poderiam ser usados posteriormente em outras ocasiões.
Mas fato é, o direito do senhor feudal sobre seus corpos acabou há séculos, mas o que um dia foi protesto se transformou em tradição que perdura a séculos. Sendo assim, o preto foi incorporado ao Pommerhochtied - o casamento à moda pomerana, onde o ritual inteiro dura três dias, e é um dos pontos mais fortes de união na vida da comunidade.
O convite não é impresso, um convidador vai de casa em casa e recitando versos em pomeranos. E um mês antes da data marcada para o grande dia, como manda a tradição, os noivos são apresentados oficialmente à comunidade durante um culto, em um evento, conhecido como Afbar, o casamento é anunciado.
A comunidade passa a girar em torno do casamento. O primeiro personagem a entrar em cena é o Hochtiedsbirrer, o "convidador" da cidade, e o seu papel é central. A tradição pomerana não aceita os convites de casamento impressos em gráficas. Até mesmo porque, o dialeto não tem grafia e gramática oficiais.
Os parentes e amigos dos noivos são chamados oralmente para o casamento, e o convite deve ser em forma de versos pomeranos, e quem faz isso é o convidador, que os noivos escolhem. Quinze dias antes da festa, ele sai a cavalo de casa em casa, portando um cajado, um chapéu e um colete, enfeitado com fitas coloridas e leva consigo, uma garrafa de aguardente. Quando o convidador chega, quem o recebe é a dona da casa, e ao aceitar o convite, ela prega uma fita colorida no colete do convidador. e logo em seguida, o casal toma um gole da aguardente do convidador.
Uma semana mais tarde, a comunidade começa a se movimentar para ajudar na organização do banquete de casamento. Cada família convidada presenteia os noivos com alimentos para serem usados como ingredientes na festa: frangos, arroz, banha, batata-doce, leite, manteiga, gengibre e utensílios de cozinha. A comida precisa ser farta, variada e tipicamente pomerana.
Na véspera do casamento, sempre uma sexta-feira, as mulheres da comunidade põem lenços e toucas na cabeça e se reúnem bem cedo na cozinha da mãe da noiva. As festas costumavam começar às quintas-feiras, mas a rotina do trabalho, com o tempo forçou a mudança de dia. Sendo que, o comando da cozinha fica com a dona da casa. Cabe a ela liderar a confecção da massa do brote, o pão típico que é o centro da mesa do banquete. Feito à base de farinha de trigo ou milho, o brote ganhou ingredientes tropicais após a migração dos pomeranos para o Brasil.
Dentro do próprio casamento tem algumas tradições como o quebra louças e o tiro.